A Marina Beira-Mar Norte, em Florianópolis, deixou de ser apenas maquete e render. Com investimento privado de R$ 350 milhões, o Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte entrou na fase de execução e começa a redesenhar, de fato, o cartão-postal mais fotografado da capital catarinense. O complexo promete gerar cerca de 2 mil empregos e receber um atracadouro para até 600 embarcações de até 110 pés.
As primeiras frentes de trabalho concentram-se na instalação da cortina de contenção sobre o espelho d’água e no início do enrocamento — a muralha de pedras que servirá de base física para toda a área de lazer. A obra avança na Avenida Rubens de Arruda Ramos, começando no trecho da Praça de Portugal e estendendo-se até a Praça do Sesquicentenário.
Do enrocamento ao aterro
Depois de concluído o enrocamento, o cronograma prevê a dragagem de areia do fundo da Baía Norte para a formação do aterro. O projeto executivo estabelece que a base de pedra atinja a mesma altura do trapiche existente, cerca de 4,5 metros, independentemente da variação da profundidade do mar em cada trecho.
Essa primeira etapa deve durar de seis a sete meses. A partir daí, a entrega ocorrerá por partes: o parque público está previsto para ser concluído em cerca de dois anos e meio, enquanto a marina náutica leva mais um ano e meio, com prazo total estimado em cinco anos — horizonte que aponta para 2031 como marco final do complexo.

Quem opera a Marina Beira-Mar Norte
O empreendimento é integralmente executado com recursos privados. A responsável é a construtora JL Construções, sediada em Cascavel (PR) e vencedora do processo licitatório. A empresa terá direito de explorar o parque e a marina por meio de cessão de uso de 35 anos, período em que assume operação, manutenção e comercialização dos espaços.
Os números do projeto
O masterplan do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte prevê a seguinte distribuição de áreas: 48.146,06 m² de áreas verdes, 25.468,40 m² destinados ao lazer, 19.433,85 m² de áreas de livre circulação e 14.646,59 m² de edificações. Somadas, formam um dos maiores redesenhos urbanos já feitos na orla central de Florianópolis.
Impacto reduzido para quem circula na orla
A Beira-Mar Norte é hoje um dos principais espaços de lazer, convivência e atividade física da capital. Por isso, o planejamento da obra foi desenhado para minimizar o impacto no cotidiano. Segundo a Prefeitura de Florianópolis, a calçada não deve ser interditada, a ciclovia será mantida, o canteiro terá área reduzida e a tradicional feira segue funcionando, deslocada apenas alguns metros à frente.
O principal transtorno ficará por conta do vai e vem de caminhões e maquinário pesado. Ainda assim, os bloqueios para entrada e saída de veículos devem ser momentâneos, com duração inferior a três minutos por operação, segundo o cronograma operacional apresentado pela prefeitura.
A marina do futuro: 300 mil m² e 10 fingers
A área náutica, batizada de Marina Beira-Mar, ocupará cerca de 300 mil metros quadrados e será dimensionada para receber até 600 embarcações de até 110 pés. As vagas serão distribuídas em 10 fingers (cais), sendo que 30 vagas ficarão reservadas ao uso público, por instituições e pescadores artesanais — um ponto sensível na negociação com comunidades tradicionais do entorno.
O projeto também prevê que o novo píer público possa operar como estação de transporte coletivo marítimo, ampliando as opções de mobilidade urbana em uma cidade insular como Florianópolis. Além disso, a via marginal da Beira-Mar Norte será adaptada para receber, no futuro, o sistema BRT da capital.
Estacionamento subterrâneo e mais espaço público
Para ampliar a área destinada ao parque, o projeto reduz o espaço hoje ocupado por veículos em superfície. Em contrapartida, será construído um estacionamento subterrâneo com cerca de 550 vagas para carros, motos e bicicletas, segundo a Secretaria de Infraestrutura. A ciclovia e o passeio público, muito usados por moradores e turistas, serão preservados e ampliados.
Turismo náutico e economia azul
Concluído o cronograma, o Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte deve consolidar Florianópolis como um dos principais destinos de turismo náutico do Sul do Brasil. A expectativa da prefeitura é que o empreendimento atraia novos investimentos privados, movimente a cadeia de serviços náuticos e gere mais de 2 mil empregos permanentes já na primeira fase de operação — reforçando o papel da capital catarinense na chamada economia azul.
O Marina Florianópolis segue acompanhando cada etapa da obra — do enrocamento à entrega da marina — com atualizações sobre cronograma, empresas envolvidas, impactos urbanos e reflexos para o setor náutico da capital.
